EPOXTICK

Nos anos 80 só havia uma fábrica de blocos no Brasil, ela era conhecida como Clark Foam e sua matéria prima vinha dos EUA. Eventualmente a importação atrasava, faltavam blocos e a minha oficina ficava sem produzir.

Cansado com essa situação resolvi procurar uma alternativa e o que mais se assemelhava ao poliuretano era o isopor. Esse material só podia ser laminado com resina epóxi pois a resina normal de poliéster usada no poliuretano derretia o isopor.

Depois de pesquisar muitos tipos de resina epóxi, nunca cheguei a um produto satisfatório, a resina era amarelada, ficava meio emborrachada e o acabamento da prancha não ficava muito bom.

Muitos anos depois, com meu envolvimento com o Kite Surf, percebi que a maioria das pranchas importadas eram feitas de resina epóxi, isopor e divinicell, e como sou um apaixonado por pranchas comecei a estudar e pesquisar esses materiais novamente. Trabalhando com diversos tipos de resina epóxi, constatei uma grande evolução nas resinas e nas fibras de vidro.

Depois de algum tempo apanhando e aprendendo, posso dizer que cheguei a um excelente produto com as pranchas de Kite, e como sou viciado em fazer pranchas, apliquei nas pranchas de surf essa nova tecnologia que aprendi.

LAMINAÇÃO

Um dos fatores que eu vi que era necessário modificar em relação as pranchas normais de poliuretano e resina poliéster era a maneira como as pranchas deveriam ser construídas. A resina Epoxi é auto desmoldante e tem um tempo de secagem maior, então nesse processo as pranchas são lixadas diversas vezes e vão ao forno para uma melhor cura da resina. Como o isopor é leve, colocamos mais fibra de vidro reforçando muito a prancha e regulando sua flexibilidade, com tudo isso temos uma prancha leve e muito mais forte. Hoje nossas pranchas de epóxi tem um processo de fabricação completamente diferente das pranchas normais, e pode acreditar, isso fez toda a diferença.

Entendendo a flexibilidade

A flexibilidade das pranchas sempre foi um dos meus segredos de shape e uma coisa que poucos pensam a respeito. A idéia é que as pranchas são flexíveis, e quando você coloca seu peso sobre ela ao entrar numa onda, ela "dobra", ou seja ela flexiona, com isso a curvatura de fundo da prancha aumenta fazendo uma virada mais curta, subindo mais reto em direção ao lip da onda. Quando a prancha retorna a posição original, ela te impulsiona para frente, deu pra entender? Chamo esse efeito de efeito trampolim. O que acontece nas pranchas de epóxi e que esse efeito é muito grande, pois a prancha flexiona mais e volta a posição original com muita velocidade, parecendo uma prancha "viva" nos seu pés, gerando velocidade.

Durabilidade

Em pranchas de Epóxi usamos Isopor no lugar do poliuretano, que é muito mais leve, graças a isso você pode colocar uma fibra de vidro muito mais grossa e muito mais forte, e usar muito mais fibra nas viradas de borda. A resina epóxi é uma resina mais nobre. Ela tem como característica ser uma resina mais plástica e flexível do que a resina poliéster que é mais vitrificada, assim sendo, ela é uma resina mais forte, mais difícil de quebrar. Isso não quer dizer que a prancha não vai quebrar, porém é muito mais durável.

Manutenção

As pranchas de epóxi devem ser consertadas com resina epóxi também, em caso de emergência pode-se usar Araldite, que é encontrado em qualquer supermercado e é a base de epóxi. O isopor absorve muita água e demora a secar então não é aconselhável cair com a prancha quebrada, nem com a proteção de tape no quebrado. Um macete para consertar sua prancha com resina poliéster (de prancha normal), é deixar a resina endurecer um pouco antes de aplicá-la e quando estiver quase dura colocar no quebrado, mas cuidado para não encostar no isopor pois irá derrete-lo. Enfim, a prancha de epóxi é uma evolução em termos de material performance e durabilidade mas como qualquer prancha tem que cuidar bem do equipamento.

Boas ondas!